quinta-feira, 13 de julho de 2017

Primeiro banco de pele animal do País é inaugurado


Pesquisa mostra que pele de tilápia antecipa a cura de queimaduras. Resultados serão exibidos hoje durante inauguração do banco
01:30 | 13/07/20170FacebookTwitterGoogle+
Além de reduzir o tempo de cicatrização, a pele de tilápia praticamente anula a troca de curativos MARIANA PARENTE/ESPECIAL PARA O POVO

Com o uso medicinal da pele de tilápia, pessoas que sofrem queimaduras conseguem ter seus ferimentos cicatrizados, em média, dois dias antes do que no tratamento convencional à base da pomada sulfadiazina de prata. Esse e outros resultados do estudo feito pelo Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) da Universidade Federal do Ceará (UFC) em parceria com o Instituto de Apoio ao Queimado (IAQ) e o Instituto Doutor José Frota (IJF) serão apresentados hoje, 13. A divulgação ocorrerá durante a inauguração do primeiro banco de pele animal do Brasil, na sede do NPDM, no bairro Rodolfo Teófilo.

Sobre o assunto

Legado científico para o Brasil

A resposta positiva da pesquisa iniciada há três anos no Ceará aproxima o Brasil da inclusão de pele animal no leque de opções terapêuticas oferecidas aos queimados pela rede pública de saúde. Isso porque, além da redução no tempo de cicatrização, a pele de tilápia praticamente anula a troca de curativos, diminui a dor sentida pelo paciente durante o tratamento e evita contaminação e perda de líquido. “É gritante a diferença na dor”, compara o diretor do Banco de Pele Animal e coordenador do NPDM, Odorico de Moraes.

Weules Correia, representante da Enel — empresa que distribui energia para o Ceará e financia a pesquisa científica — diz que a economia financeira proporcionada pela inovação também impacta significativamente no custo do tratamento e na compra de material.

Esse número, porém, só será apresentado hoje, segundo o cirurgião plástico, presidente do IAQ e coordenador médico do Banco de Pele Animal, Edmar Maciel.

Mesmo com a divulgação dos resultados, a última fase dos testes em pacientes queimados do IJF (são 150, entre adultos e crianças) deve ser concluída somente ao fim deste ano, segundo Odorico. “Transformamos uma ideia num bem social tangível”, comemora ele. Depois disso, a técnica deve ser registrada na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Edmar, presidente do IAQ, lembra que a sulfadiazina de prata data da Segunda Guerra Mundial, quase 50 anos atrás. Ele pontua também que a pesquisa sobre a pele de tilápia envolve cerca de 70 profissionais, entre médicos, enfermeiros, biólogos, dentistas, veterinários e outros.

Outras aplicações

Paralelo ao uso da pele de tilápia na cura de queimaduras, Odorico de Moraes adianta que pesquisadores do Núcleo estudam, atualmente, os efeitos do tecido do peixe no tratamento de feridas, na cirurgia para mulheres com atresia vaginal (que nascem sem vagina), na reposição da membrana do tímpano e no crescimento ósseo para fixação de implante dentário.



Saiba mais



Depois de tratada, cada pele de tilápia tem durabilidade de dois anos.

A quantidade de peles aplicadas num único paciente queimado depende do grau do ferimento.

A pele de tilápia é a primeira pele de animal aquático do mundo a ser estudada para o tratamento de queimaduras.

Um estudo multicêntrico sobre a pele deve ser iniciado neste segundo semestre.Por Luana Severo

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